martes, 21 de mayo de 2013

Steve McCurry: em busca da humanidade, a missão de um fotógrafo

Steve McCurry, que registrou a famosa refugiada afegã de olhos verdes, almeja encontrar na fotografia o sentido de sua própria vida


Quando estava com 27 anos, larguei meu trabalho como fotojornalista, peguei minha poupança e fui para a Índia pelo simples motivo de que jamais estivera naquela parte do mundo. Meu plano original era passar 12 semanas viajando. Em vez disso, acabei voltando de lá dois anos depois com 200 rolos de filme e completamente fascinado pela religião, pelos costumese pela cultura do país. Fiquei impressionado com o contraste entre modos de vida arcaicos e modernos e com a flagrante disparidade entre ricos e pobres. Desde então, em pouco mais de três décadas, voltei ao subcontinente indiano nada menos que 84 vezes. Também fiz 35 viagens ao Afeganistão, além de viajar a trabalho para Birmânia,Tailândia, China, Paquistão, Bangladesh e Turquia.
Não que eu seja obcecado por lugares problemáticos e tampouco estou tentando bater algum recorde de milhas voadas. O que acontece é que, simplesmente, nada me atrai tanto quanto explorar o mundo com uma câmera na mão. Para mim, tanto as diferenças como as semelhanças entre os povos são igualmente fascinantes.
No princípio, o que eu queria era filmar documentários. Mas, à medida que fui aprendendo o ofício, percebi que gostava mesmo era de fotografar. No meu caso, esse meio é o mais acessível. Com uma câmera de 35 mm, basta sair para a rua e trabalhar. É algo imediato e espontâneo. Não é preciso planejamento nem preparação. Acabo quase sempre fotografando gente. Se topo com alguém que me atrai na rua, sempre pergunto se posso fazer seu retrato.
Certa vez, em 1994, eu estava em Bombaim e, quando parei no meio do trânsito, uma pedinte bateu na janela. No conforto relativo daquele carro alugado, fiz, através do vidro, um retrato da jovem que carregava um bebê, ambos encharcados sob a chuva.
Esse é um dos aspectos mais difíceis de meu trabalho. Quando viajo por países mais pobres ou zonas em conflito, sou assediado por gente que precisa de ajuda. Tenho de decidir como agir em cada situação. Quando devo por de lado a câmera e intervir de outro modo? Dezesseis anos atrás, quando estava cobrindo a guerra civil no Afeganistão, vi um soldado ferido à beira da estrada. Fiz uma foto dele e depois o levei a um hospital em Cabul, onde lhe salvaram a vida.

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Famosa como "a menina afegã", a jovem refugiada de olhar intrigante tornou-se um ícone fotográfico. Quando Steve McCurry fez seu retrato em um campo de refugiados no Paquistão em 1984, ela jamais havia sido fotografada. Em 2002, ele conseguiu reencontrá-la em Peshawar, no Paquistão, e foi então que o mundo afinal soube como se chamava: Sharbat Gula


Iêmen - debaixo do sol escaldante, no uádi Hadhramaut, mulheres usam chapéu para proteger a cabeça enquanto colhem trevos para o gado. Atrás delas se ergue um complexo familiar, fortificado contra ataques de outras tribos


Segundo estimativas, os arrozais em terraços de Banaue remontam a 2 mil anos e são uma das maravilhas da engenhosidade humana, instalados em vertentes íngremes e dotados de intrincados sistemas de irrigação. Os terraços são cultivados pelos ifugao, provavelmente descendentes dos construtores originais. Isolados pelo terreno montanhoso, os ifugao resistiram ao domínio dos espanhóis entre 1565 e 1898


Devotos se reúnem na Jamia Masjid, a maior mesquita de Srinagar. No decorrer das últimas décadas, os muçulmanos da Caxemira se opuseram violentamente ao domínio da Índia, predominantemente hinduísta


O budismo é predominante na Birmânia, sendo adotado por quase toda a população. Monges oram junto à Rocha Dourada, cujo equilíbrio, acredita-se, se deva a um único fio de cabelo do Buda, guardado em um santuáriono topo do rochedo


Cultivadores de batatas na província de Bamian trabalham à sombra do que já não existe mais. O único resquício do imponente Buda de pedra de 1500 anos, antes entre os mais altos do mundo, com seus 53 metros, é o nicho vazio. Apesar dos protestos internacionais, o Talibã destruiu a estátua e uma outra em 2001, alegando que eram uma afronta ao Islã


Com o rosto coberto de gulal, um pó avermelhado, um menino indiano participa da tradicional festa hindu de Ganesh Chaturthi, em Bombain. Uma das divindades mais amplamente veneradas do panteão hindu, Ganesh é associado à cor vermelha, sempre presente nas festas em sua honra


Como nuvens de tempestade que se acumulam, a sombra do comércio ilegal de ópio paira sobre o país. Homens extraem a seiva das papoulas na província de Nangarhar, a segunda maior área de produção de ópio no Afeganistão em 2004


Um sinal dos tempos, mulheres em Cabul vestidas com a burca tradicional assinalam uma retomada do fundamentalismo islâmico na era pós-comunista. Hoje a burca continua a ser amplamente usada na capital, muitas vezes por motivos de segurança. Nem sempre foi assim. Na época em que as mulheres conquistaram direito de votar, em 1964, a burca estava prestes a desaparecer das cidades mais importantes


Uma das incontáveis viúvas afegãs é obrigada a depender da bondade de estranhos. Sob o governo do Talibã, as mulheres estavam proibidas de trabalhar, ainda que com frequência fossem o arrimo de suas famílias


Em um tranquilo platô acima dos lagos Bandi Amir, torres em ruínas evocam o passado turbulento do Afeganistão. Miríades de imigrantes e conquistadores – persas, gregos, árabes, mongóis, britânicos e russos – se chocaram nessa região agitada

Em Daca riquixás puxados por bicicletas cruzam linhas de trem. Antes parte do sistema ferroviário indiano, a rede foi dividida em 1947, por ocasião da independência do Paquistão Oriental, hoje Bangladesh. O serviço de passageiros para a Índia – entre Daca e Calcutá – permaneceu suspenso por 43 anos devido às relações tensas e às escaramuças fronteiriças que remontam à guerra de 1965 entre Índia e Paquistão. A circulação de trens foi retomada em 2008


Agarrado pelas raízes de uma figueira estranguladora, o Ta Prohm é um dos mais de 100 templos no complexo de Angkor, a famosa capital do antigo Império Khmer. A selva não é a única ameaça. Atualmente Angkor enfrenta outras pressões também – turistas que adoram o local e saqueadores que o pilham 


Equilibrando na cabeça o arroz comprado no mercado, uma mulher hindu de Bhuj, em Gujarat, cobre o rosto de acordo com a tradição. Nas zonas rurais do norte e do centro da Índia, as mulheres com frequência adotam a prática da purdah, ocultando a cabeça na presença de estranhos, especialmente homens que não fazem parte da família


Na Caxemira, um vendedor de flores avança remando pelas águas calmas do lago Dal. Os tumultos civis destroçaram a tranquilidade da região e devastaram o setor de turismo. No passado, a região já chegou a receber mais de meio milhão de visitantes por ano


Em meio à conflagração da primeira Guerra do Golfo, camelos vagam em busca de arbustos e água nos campos de petróleo incendiados no sul do Kweit. Essa desesperada procura por alimentos reflete a catástrofe ambiental em uma região assolada por conflitos. O petróleo foi crucial para isso: jorrando de poços sabotados, provocou a morte de dezenas de milhares de aves, aprisionadas em poças e lagoas oleosas


O fotógrafo Steve McCurry veste uma roupa tradicional em um estúdio fotográfico de Cabul que usa a técnica de pintura manual

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