sábado, 16 de febrero de 2013

Lentes voltadas para o Pantanal mato-grossense

por Izan Petterle 



Em uma de minhas viagens ao Pantanal, conheci o fotógrafo Mike Bueno. Ele mora em Cuiabá, é dentista, doutor em Radiologia e empresário do setor. Apesar de aparentemente serem coisas totalmente sem ligação entre si, ele é, literalmente, um especialista em imagens. Sua paixão pela natureza e pela fotografia, aliada à determinação no domínio da técnica, resultou em um acervo extraordinário de fotos do Pantanal mato-grossense, com mais de 250 mil imagens, alimentado ao longo de 18 anos em mais de 130 viagens a esse extraordinário ecossistema.
“Ao ‘descobrir’ que a fotografia me entusiasmava, comecei a viajar por diversos países da América em busca de motivos e paisagens para capturar. Quando conheci o Pantanal, em 1994, percebi que eu não precisava de cenários longínquos em outros países… Pois o meu lugar era aqui. No início desse trabalho eu andava pela Transpantaneira e fotografava plantas, pássaros e animais – eu de um lado, e eles do outro. Aos poucos senti que não era assim que deveria ser, pois eu tinha que estar do mesmo lado, integrado a esse ambiente maravilhosamente sedutor. Fui conduzido ao caminho da percepção mais sutil. Tomado por esse desejo de ‘comunhão’ com as aves, com os animais e seus ambientes, passei a sentir essa explosão de vida selvagem à flor-da-pele.
Na fotografia de natureza percebemos nas expressões corporais dos animais que a aproximação causa uma certa tensão. Geralmente as melhores fotos acontecem quando conseguimos nos integrar com a natureza, sendo aceito por ela ao ponto de fazer parte do meio. Percebo que dessa forma os animais compreendem as nossas intenções e podem nos aceitar ou não.
Lembro-me de um dia em que me aproximei de uma família de bugios. Inicialmente ocorreu uma certa tensão. Persisti, de forma respeitosa, e depois de umas quatro horas eles foram me aceitando e retomaram o seu comportamento natural. Um filhote olhava a mãe com uma expressão indescritível de profunda admiração… Seus olhos brilhavam! A mãe retribuiu com um demorado beijo na testa…
Das mais de 130 viagens que fiz para o Pantanal, nenhuma foi repetitiva. Sempre houve algo novo! Quando acordo de madrugada, em Cuiabá, para ir para o Pantanal, fico pensando qual será a surpresa da viagem. Provavelmente as melhores fotos virão de um motivo ou acontecimento que não consigo imaginar, por mais que me esforce para descobrir. A expectativa e esses sentimentos é que me levam para o Pantanal. A surpresa que sei estar reservada para mim muitas vezes chega a ser absurda, de tão grande – daquelas de ficar sem fala, de ‘cair de costas’! Tenho muita sorte de fazer parte deste meio e sei que estou no melhor lugar do mundo.” – Mike Bueno
















Izan Petterle

É colaborador regular da revista National Geographic Brasil. Fotógrafo desde 1975, ele já recebeu quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo e dois prêmios Best Edit, concedido pela National Geographic dos Estados Unidos para o melhor ensaio fotográfico produzido para as edições internacionais
 
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