viernes, 28 de diciembre de 2012

Aparados na Serra: abismos na neblina


por Luis Veiga

Para abrir um caminho entre a América espanhola e a portuguesa, os colonizadores tiveram de galgar as escarpas dos maiores cânions do Brasil

Nos meses de verão, quando nuvens vindas do litoral conseguem romper os penhascos, surge a viração. O choque térmico da massa fria com o calor estacionado na altitude faz com que a névoa se acumule em colunas cada vez mais altas.

Vistas de longe, essas colunas parecem estar em rotação de cima para baixo; de dentro, elas são como uma noite branca, a ponto de impedir que se enxergue além de 2 metros de distância. A viração é uma neblina espessa, quase palpável, que alcança a borda do planalto mas não avança por causa da diferença de temperaturas.


Foto: Luis Veiga

A névoa densa oculta o fundo do cânion Fortaleza, na região gaúcha de Aparados da Serra. Em alguns trechos, este imenso degrau que liga o planalto ao litoral tem quase mil metros de desnível.

Foto: Luis Veiga

O rio Amola Faca, afluente do Araranguá, em Santa Catarina, despenca em uma garganta. Perto daqui antigos caminhos de tropa descem a serra e ainda são usados pela população local. 

Foto: Luis Veiga

As cores da flor-das-almas, típica dos campos do sul, forram o planalto no fim da primavera, enquanto uma tempestade se aproxima, anunciando para breve a mudança das estações. 

Foto: Luis Veiga

As poucas árvores vergam com o cortante vento pampeano que açoita o planalto na borda dos paredões - mas não impede cavalgada mesmo nos dias mais frios de inverno.

Foto: Luis Veiga

Vestígios das sesmarias, taipas de pedras eram erguidas com as rochas espalhadas nos campos e serviam para dividir as propriedades.

Foto: Luis Veiga

Retornando de uma cavalgada de cinco dias, Verino Barbosa cruza o planalto em meio a uma viração. Este experiente vaqueano de Aparados não se intimida com cruzar em dia de neblina o território repleto de banhados. E garante: nunca perdeu o rumo nem atolou cavalo. 

Foto: Luis Veiga

A florestas de araucária diminuíram, e agora matas de pínus cobrem parte do município de Cambará do Sul para fabricação de celulose. Caminhões trabalham noite e dia para recolher as toras cortadas. 

Foto: Luis Veiga

Verino Barbosa desossa um porco enquanto sua mulher prepara a carne para fazer salame. No tacho, a banha é apurada, e o pernil á esquerda será assado para o jantar depois de um dia de intenso trabalho.

Foto: Luis Veiga


O rio Púlpito corta os campos cobertos de gelo. A cerração baixa prenuncia um dia quente, apesar da madrugada com temperaturas negativas. A borda do planalto está entre as regiões mais frias do país. 
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