lunes, 19 de noviembre de 2012

Gruta do Riacho Subterrâneo: a maior caverna em granito do Hemisfério Sul

por Adriano Gambarini


Recentemente fui convidado pelo Grupo Pierre Martin de Espeleologia – GPME para conhecer uma de suas importantes descobertas. A Gruta do Riacho Subterrâneo, em Itu, interior de São Paulo. Não é segredo de ninguém que Itu é a cidade dos superlativos, onde tudo é grande, imponente. E, para não deixar por menos, tem em suas terras a maior caverna em granito do Hemisfério Sul.


A Gruta do Riacho Subterrâneo foi “descoberta” pela espeleologia brasileira a partir de um passeio informal do amigo de um integrante do GPME, no Camping Casarão. Em meio a chalés, recantos tranquilos para descanso familiar e um impecável atendimento ao público, ele ouviu de soslaio sobre a existência de uma gruta, no meio dos blocos de granito que decoram a paisagem. Como toda gruta tem seu valor, não importa o tamanho, avisou o grupo. E como quase toda grande descoberta é casual, o GPME foi conhecer a região num fim de tarde, crendo que conseguiriam explorar e mapear a gruta em pouco tempo. Afinal, grutas em granito normalmente são pequenas, dado seu processo de formação estar associado ao posicionamento aleatório de grandes matacões e blocos da rocha.
Qual foi a surpresa quando viram que o buraco era mais embaixo. Literalmente. Foram mais de 15 viagens para explorar, mapear a gruta e chegar à marca, não finalizada, de 1.249 metros, e ao título de maior caverna em granito do Hemisfério Sul. Além disso, encontraram potes de cerâmica que podem agregar valor arqueológico, uma infinidade de animais e pequenos e raros espeleotemas, despertando a curiosidade de especialistas espanhóis.
A pesquisa biológica conduzida pela Prof. Maria Elina Bichuette e sua equipe, responsável pelo Laboratório de Estudos Subterrâneos da UFSCar, encontrou cerca de 98 espécies de invertebrados (terrestres e aquáticos). Contudo, tal estudo é preliminar, já que ainda não foi realizado um levantamento de espécies de morcegos, o que certamente atribuirá uma importância ainda maior. Os pesquisadores farão uma amostragem de longo prazo, conciliando períodos de chuva e seca; afinal, estudos de fauna subterrânea são primordiais para sua compreensão e conservação.



Se porventura tais palavras atiçaram a curiosidade de espeleoturistas, segue um aviso: a Gruta do Riacho Subterrâneo pode carregar este importante título, mas os adjetivos de Itu também servem para sua exploração. Não é para qualquer um. A rocha é extremamente áspera, como se tivesse dentro de um enorme ralador de queijo! E o que mais se encontra é quebra-corpos e passagens diminutas entre os blocos gigantescos, onde a ralação extrema é uma realidade. Não é à toa que os espeleólogos demoraram tanto neste trabalho. A exploração desta gruta é desgastante e complicada. Penetrar em claustrofóbicos espaços é comum. Ter que tirar o capacete para transpor trechos entre blocos, ou pulá-los entre profundas fendas, um fato. Ali, os extremos coexistem. Assim como suas belezas.





Adriano Gambarini

Fotógrafo e escritor desde 1992, trabalha na National Geographic desde o início da revista no Brasil. Autor de 11 livros de fotografia, administra a Gamba Imagens na produção de livros e licenciamento de seu fotoarquivo. Colunista do site OECO, é formado em Geologia, com especialização em Espeleologia 
 
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